Quando falamos em dança, cada um de nós pode pensar em vários tipos de dança, por exemplo: dança de salão, samba, forró, pagode, a dança do “tchan”, jazz, sapateado, balé clássico, dança afro, dança moderna, contemporânea, entre outras.
Quando nos referimos à dança para pessoas cujo corpo apresenta uma deficiência, a primeira idéia que talvez passe pela nossa cabeça seja a dança terapêutica, ou a dança expressiva ou livre, usada geralmente para se “soltar”.
Mas, pergunto: será que o corpo diferente está destinado apenas a dançar de forma terapêutica? Será que, por detrás disso, não se esconde o fato de não existir formação adequada para ensinar dança para essas pessoas, ou, ainda, a nossa falta de convicção de que esse corpo com tantas limitações possa realmente dançar?
Uma análise sobre a pessoa categorizada como deficiente no contexto da dança é atesta a desorganização que a deficiência simboliza.
Essa questão da deficiência na dança está muito associada, ou de certa forma comparada ao preconceito entre o masculino e o feminino, por exemplo. Aqui se retrata questões como se a dança fosse apenas direcionada ao gênero feminino e o futebol ao masculino, utilizando noções de representação do sensível versus agressivo ou saúde e doença, alienação e comunidade, autonomia e interdependência.
O mundo da dança, até pouco tempo atrás, era um território só para os corpos perfeitos, “perfeitos” tanto no que se refere à ausência de deficiência física, quanto àqueles corpos definidos a partir do padrão exigido pelo balé clássico.
Atentando para os trabalhos na dança contemporânea que estão revendo o paradigma tradicional, perguntando-se que tipo de movimento pode constituir a dança e que tipo de corpo pode constituir um dançarino. E é nesse contexto que o corpo diferente tem-se apresentado e novas propostas de trabalho vêm sendo elaboradas de modo a explorar e respeitar cada corpo.
É preciso aqui ressaltar que é esse papel que vem sendo historicamente reservado para um corpo ideal. Podendo sim existir a integração de corpos deficientes na dança contemporânea resultar de uma ruptura com as pré-concepções das habilidades.
Considerando que a deficiência significa a antítese cultural do corpo saudável e apto, o que acontece quando uma pessoa com deficiência apresenta-se no papel de dançarino?
A relação da dança com a deficiência é um extraordinário campo, por meio do qual podem ser exploradas as construções sobrepostas da habilidade física do corpo, subjetividade e visibilidade cultural. Um modo de examinar as pré-concepções das habilidades do mundo da dança é confrontar tanto os significados simbólicos e ideológicos que o corpo deficiente detém em nossa cultura como também as condições práticas da deficiência.

