Expressão Corporal

Assistir a um corpo deficiente dançando nos força a ver com uma dupla visão e ajuda-nos a reconhecer que, quando uma performance de dança é construída nas capacidades físicas de um dançarino, essa não é limitada por ele.

Questões da deficiência eventualmente afetam a nossa vida. Embora possa ser familiar para nós que algumas pessoas com deficiência, sejam escritoras, artistas ou músicos, os dançarinos com deficiência ainda são vistos em termos de contradição. Isto porque a dança distingue-se de outras formas de produção cultural como um livro ou uma pintura, fazendo o corpo visível com a representação de si mesmo. De modo que, quando olhamos a dança, observamos tanto à coreografia quanta a deficiência.

A inserção de corpos com desafios físicos reais pode ser constrangedor tanto para a crítica como para a audiência que está comprometida com a estética de beleza ideal. De algum modo, a deficiência simboliza uma tentativa de nos relembrar como é tênue o modelo do “mito do corpo perfeito”.

Acredito que essa dissolução do real que a deficiência pode provocar nos conduz a pensar diferentemente sobre a relação entre as representações culturais e a atual história do corpo.

Algumas companhias de dança contemporânea estão produzindo trabalhos que não disfarçam a deficiência, pelo contrário, usam a diferença na habilidade física para criar coreografias novas e inventivas. Embora diferentemente incorporadas, as concepções culturais de graça, velocidade, força, agilidade e controle ainda estruturam a estética dessas companhias.

Existe uma técnica chamada contato com a improvisação que pode ser usado como uma possibilidade de movimento para outros tipos de danças e para outros tipos de corpos. O Contact-Improvisation representa o corpo com deficiência de um modo diferente no mundo da dança, porque, esse não tenta recriar a moldura estética do corpo clássico ou o contexto de uma dança tradicional.

Através disso podemos ver a complexidade do corpo diferente. Analisar a questão da deficiência e relacioná-la com a questão de gênero e discuti-la com base nas noções de representação de belo e grotesco, saúde e doença, alienação e comunidade, autonomia e interdependência, foi algo que nos proporcionou muitas informações. O trabalho apresentado aqui mostra algumas propostas da dança contemporânea que contribuem para a revisão de alguns paradigmas, o que nos facultaria reconhecer outras formas de apreciar a dança que não passariam somente por aquilo que é agradável apenas aos olhos.

A dança para um corpo diferente estaria nos propondo um conhecimento mais amplo do conceito de beleza e ao mesmo tempo o desafio de apreendermos uma estética da própria existência.

[http://www.youtube.com/watch?v=yaz98rCGyTI]




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